Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Natal, férias, alegria...


Para todos aqueles que eu não vir até dia 24, um Bom Natal.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Bom Natal!!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Balada de Neve



Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Augusto Gil

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Carta ao Pai Natal

Senhor Pai Natal
Como diz o meu amigo que mora na torre
em frente à minha barraca do bairro de lata onde vivo
quero pedir-te que transmitas lá no céu
como vou passar o Natal com a minha mãe.

Tenho dez anos e nunca tive um brinquedo
a não ser daqueles que nós fazemos com arame,
carros com rodas e tudo e volante.
Desde que cheguei de Cabo Verde que moro aqui
nesta casa de madeira sem luz, sem água
e só a Lua acende as ruas estreitas, tão estreitas
que chego a bater nas casas com os cotovelos.

Nunca fui à escola e não sei ler nem escrever
por isso pedi ao meu amigo menino para fazeruma carta.
é tão estranho a caneta dele desliza
sinais no papel das coisas que eu digo
que édifícil acreditar que as minhas palavras ali estão.

Às vezes espreito pela grade da escola que fica
ali perto e vou ver os meninos no recreio a brincar
quando a minha mãe diz para ir comprar pão
no senhor inácio porque o dinheiro eu conheço
dez vinte cinquenta as moedas e as notas.

Senhor Pai Natal, eu só queria... olha, já disse
que não quero brinquedos, não me importo
mas diz a Deus para dar um homem à minha mãe;
ela queixa-se muito, passa a vida a dizer que
a casa precisa é de um homem, principalmente
quando o meu irmão de dezoito se pica nos braços
e fica para ali parece um morto mas quando acorda
começa a partir as coisas que restam. Por isso
é que nós não temos prateleiras para pôr as panelas
fica tudo no chão a monte. Há dias deitou abaixo
a porta da casa e dormimos toda a noite com os cães
da rua a entrar e a sair. eu quase não dormi porque tive
de enxotar os cães que iam lamber as pernas
ao meu irmão e à minha mãe. foi engraçado.

Ah, sabes, neste bairro que não é bairro
não vem a camioneta buscar o lixo
o carro que vem é a carroça dos cães para os levar
não fazem mal a ninguém mas eles dizem que são vadios
os cães têm dono mas eles não querem saber
e dizem que são nossos amigos, os cães.

Vem também um senhor padre dizer
para irmos à missa rezar
mas a minha mãe e eu não temos tempo
é preciso ir buscar água a uma torneira
que uma senhora pôs
no quintal para a gente. é quando
vou à água que eu vou brincar para a lixeira
e às vezes trago uma lanterna velha
um secador
que trabalha mas a minha mãe não precisa dele
porque tem o cabelo curto e é carapinha.

Vou dizer ao meu amigo para ler esta carta em voz alta
para saber se ele não se esqueceu de alguma coisa
até porque a minha mãe está a chamar-me para
pôr uma bacia a apanhar a água que está a cair
em cima da cama. Está a chover muito e é sempre
assim é quando a mãe canta «sodade di nha crecheu»

Agora lembrei-me: tu que és o Pai Natal,
o mensageiro de Deus e portanto sabes onde
está tudo porque vais dar as prendas a toda a gente
quando passares por cima da minha casa com o teu
carro de madeira puxado por aqueles animais que têm cornos
e parecem árvores, no dia de Natal faz-me só um sinal
um sinal só para mim, só para mim.
e não te esqueças: lembra-te da minha mãe.

Autor desconhecido